quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Beleza roubada


Hoje pela manhã caminhei na orla, no trecho que vai do Jardim de Alá até a Boca do Rio. E passei pelas ruínas do antigo Aeroclube, que para quem não conhece era uma galeria a céu aberto à beira-mar, com lojas, cinema, restaurantes, livraria, lanchonetes e parques infantis. Um lugar agradável, aonde costumava levar minha filha para passear, tomar um sorvete e observar as ondas. Por conta de problemas judiciais que paralisaram uma possível reforma do local, hoje existe apenas a carcaça das antigas edificações, como naqueles filmes em que os personagens voltam a um lugar da sua mocidade e encontram apenas o espectro de um lugar que não existe além da sua memória, por mais que a construção em si esteja ainda de pé. Mais do que impressionado, fiquei triste com a destruição de mais um ponto de lazer e encontros na cidade onde moro.

E então me dei conta do quanto o Aeroclube representa uma espécie de microcosmo do que ocorre hoje com a própria Salvador, uma cidade que agoniza a céu aberto. Há 20 anos, mais ou menos, Salvador era bonita, aconchegante e boa de se viver, para onde vinham turistas do Brasil e do exterior, num clima de festa móvel que durava mais do que um verão. Tudo isso acabou, evidentemente, embora alguns incautos ainda venham para cá acreditando que estão desembarcando em Cancún ou Punta del Este, quando na verdade estão chegando a uma versão edulcorada de Porto Príncipe. Existe muita beleza ainda, obviamente, como pude perceber num passeio de barco pela Baía de Todos os Santos na semana passada. Mas é uma beleza roubada, agredida pela violência desmedida e por gestões incompetentes em sequência. O fato é que, ao se fazer uma ligeira retrospectiva mental da nossa história recente, é possível perceber os sinais de decadência que desaguariam no ambiente de guerra civil não-declarada em que vivemos.

Salvador nunca teve um projeto de cidade, assim como durante muitos anos o Brasil não teve um projeto de país. Fomos e somos governados invariavelmente por indivíduos ineptos ou corruptos – ou as duas coisas ao mesmo tempo. Nunca se procurou mitigar a nossa desigualdade social brutal, o nosso crescimento sem trégua e a nossa tendência ao descumprimento das leis e costumes morais mais básicos. A cidade onde vivi na infância, na juventude, ou mesmo aquela que conheci há menos de dez anos, quando ia ao Aeroclube passear com minha filha, se tornou um campo de batalha diário, no trânsito, nos bares ou nas ruas. Há muita gente andando armada, e há outros tantos dispostos a brigar por motivos os mais esdrúxulos.

A cidade com a maior população negra fora da África é também a que mata mais negros. Basta olhar as manchetes dos jornais para se deparar com notícias como “Jovem de 16 anos é assassinado no bairro de Pau da Lima” ou “Adolescente de 17 anos é baleado no peito em Cajazeiras VIII”. É um extermínio diário, motivado por disputas de pontos de tráfico (uma metástase que se espalha pelos bairros pobres), dívidas contraídas pelo consumo de crack, brigas fúteis ou apenas pela má sorte de se estar no lugar errado na hora errada. E cada vez mais esse extermínio silencioso respinga na classe média, que por muitos anos ignorou o problema e agora se vê sem saída, porque o problema deixou os guetos e desceu para as avenidas de vale que cortam a cidade e exibem as vísceras de sua miséria.

Não é à toa que o número de assassinatos em Salvador cresceu 70% nos últimos dez anos. Isso é palpável. Assim como é palpável a sensação de que não existe qualquer projeto mais amplo sendo pensado para reverter esse quadro. São apenas ações pontuais, tomadas quando a coisa aperta e a opinião pública começa a bradar. Até mesmo na condição de cidade com enorme potencial turístico, Salvador está ficando para trás. Quem vai a Recife ou Fortaleza – para citar outras duas grandes capitais nordestinas – percebe um rumo, um zelo, por mínimo que seja. Enquanto isso, caminhamos para a formação de estados paralelos, num cenário que se aproxima em muito do Rio de Janeiro das últimas décadas, onde a corrupção endêmica desafia qualquer noção de progresso. Somos um balneário decadente, como Acapulco ou Havana, no qual os turistas são entregues a ambulantes insistentes, motoristas de táxi ou de vans mal intencionados e trombadinhas sempre à espreita. Enquanto uma população com educação formal precária se entrega a um hedonismo desenfreado, traduzido num cenário cultural paupérrimo que louva a nossa sexualidade exacerbada em números musicais patéticos, consumidos com avidez tanto pela plebe como pela elite.

É duro constatar tudo isso. Perceber que a cidade em que nasci atingiu a derrocada sem ter passado pelo apogeu. Afinal, não tivemos por aqui uma era do jazz como a Nova York dos anos 20, nem nos tornamos um paraíso permissivo como a Paris dos anos 30 ou uma capital musical, linda e cálida como o Rio dos anos 50. Gosto de Salvador, da sua gastronomia singular, da sua luz, do vento que sopra do mar e me atinge agora, nesta noite de verão. Gosto da sua devassidão, do seu jeito descompromissado, da beleza extraordinária que se descortina quando passo pela Barra, pela Contorno, pela Ribeira. Mas a cada dia sou tomado pela perplexidade diante de um cenário que me assusta. Nossa cordialidade inata está sendo substituída por um individualismo atroz, e isso se reflete na cidade que vemos: suja, descuidada, brutalizada, pronta para virar geléia.

38 comentários:

Anônimo disse...

Querido Paulinho,
Belo texto!
Retrata fielmente o que sinto por Salvador, no entanto, continuo a ama-la na singela esperança otimista, mesmo que pequena, que algo pode mudar....
Valeu
Abs
Deco

::Soda Cáustica:: disse...

Paulo, vc escreveu tudo o que eu sempre quis dizer e o que penso. Texto genial.

Beijos,

Viveca

Tiago Sena disse...

Belo texto, infelizmente para uma realidade bem feia.
Sou soteropolitano e moro em São Paulo a pouco mais de 5 anos. Desde que mudei para cá, a cada visita que faço a Salvador, retorno com um sentimento misto de saudade e raiva.
Saudade das pessoas e dos locais que hoje só existem na minha memória. Raiva de ver que a cidade que adoro simplesmente virou a cara para as pessoas que nela vivem.
São ruas sujas, iluminação precária, medo onipresente em cada esquina, vandalismo e total ausência de poder público.
A cidade e principalmente os cidadaos dela precisam acordar para uma realidade bem diferente daquela exibida pela emissora oficial.
A imagem de indolencia, de que temos festa o ano inteiro, de que somos tolerantes é falsa e só agrava cada vez mais o abismo que existe entre a realidade e o que querem nos vender com uma bela avenida como o que foi feito na Centenario. Obras de fachada, mas na espreita de problemas bem mais graves logo ali ao lado no Calabar ou no Alto das Pombas apenas para ficar com o exemplo citado.
Mais educação, mais consciencia e responsabilidade na hora de escolher os governantes, mais cobrança sobre sua atuação. Salvador ainda tem jeito, mas é preciso uma mudança mais profunda do que de pessoas e projetos, é preciso uma mudança de atitude, da forma de ver a cidade.

Paulo Sales disse...

Valeu, Decão. Acho que esse é um sentimento geral de quem vive ou nasceu aqui, de uma cidade que poderia dar certo, mas insiste no equívoco crônico.
Grande abraço.

Paulo Sales disse...

É Vivequinha, como disse a Deco no comentário acima esse me parece ser um sentimento geral dos soteropolitanos.
Um beijo.

Paulo Sales disse...

Obrigado pela visita ao blog, Tiago. Seu comentário complementa perfeitamente o que eu tentei expressar no texto. É mesmo uma questão de repensar a cidade em todos os aspectos, incluindo a nossa dificuldade em aceitar que temos problemas muito sérios.
Grande abraço.

Taís Adelita disse...

Parabéns pelo texto. Endossado.

É triste mas mato a saudade da minha cidade já no aeroporto, ao me deparar com a qualidade do serviço...

Tanta riqueza cultural mas a visão crítica tem seu espaço tomado pela frugalidade, pela superficialidade do nosso grande atrativo, a música e seu ambiente nefasto.

Música?! Deve ter outro nome, não vamos colocar isso no mesmo saco dos grandes.

O problema é que "Ela dá pra qualquer um..."

taisadelita@hotmail.com

Paulo Sales disse...

Obrigado pela visita ao blog, Taís. A indústria cultural baiana contribui para esse estado de caos em que estamos atolados. Já fomos uma cidade musicalmente vigorosa e genuína, que vem sendo substituída pela escória. É o que resta.
abs

Ricardo Ballarine disse...

E qual cidade possui algum projeto? O que temos é um amontoado de construções, interesses imobiliários e especulações que desenham as cidades. As capitais sofrem mais. Nessa rabeira, chegam a violência, como você disse. O problema é como arrumar essa bagunça agora. Acho que não há solução.

Paulo Sales disse...

Concordo com você. As cidades brasileiras são amontoados desorganizados e empobrecidos. Mas, sinceramente, acho que Salvador está num nível abaixo das demais cidades, ombreando-se apenas com Rio e São Paulo, e numa situação pior do que as outras capitais nordestinas que citei no texto. Ainda há, acredito, cidades que podem ter alguma solução, como Fortaleza, Florianópolis, Curitiba e talvez uma ou outra mais. O grande problema, acima de todos os outros, é a desigualdade social, e aqui ela se manifesta da maneira mais perversa.

Leo Pirão disse...

Belo texto, meu velho.
Sempre achei que meu amor por Salvador seria inabalável. Mas, a atual situação está conseguindo enfraquecê-lo. É difícil uma retomada, mas não impossível. Vamos torcer. Grande abraço!

Paulo Sales disse...

Valeu, grande Pirão.
Também não acho impossível retomarmos Salvador, mas isso passa pela escolha de pessoas preparadas para gerir a cidade e por uma mudança radical na mentalidade dos baianos.
Grande abraço.

Anônimo disse...

Disse tudo o que penso e sinto. Infelizmente hoje a minha maior meta é sair daqui o mais rápido possível. Fico triste em dizer isso, porém com tanta violência e falta de educação, eu que tenho apenas 20 anos, não tenho nem prazer de sair mais.
Excelente texto. Parabéns!

Paulo Sales disse...

Obrigado, caro Anônimo.
Talvez esse seja mesmo o melhor caminho: o aeroporto. Pena que você, com seus 20 anos, não tenha conhecido a cidade que conheci quando tinha a sua idade. Era ótima, acredite.
Um abraço.

Anônimo disse...

A cada dupla de casas que vejo ser derrubada para construir mais um prédio de, no mínimo, 10 andares sendo 2, 4, 6, 8 por andar...fico preocupado...

Se não queremos trânsito e caos na cidade isso tem que parar...

Qualquer um sabe do que rola na Sucom. Veja o caso do Clube Espanhol...200 apartamentos naquela encosta...autorização em 20 dias!

ta aí a resposta aos seus questionamentos...

Anônimo disse...

Por que a construção do Hotel Hilton parou ???

É a máxima do funcionalismo baiano: Criar dificuldade para vender facilidade.

Com uma mentalidade dessas não precisamos de desastres naturais...Nós, o povo, somos a própria tragédia.

José Lamartine Neto disse...

Paulo,
Esta cidade me acolheu no final dos anos 1970 como estudante do Colégio da Policia Militar na Av. Dendezeiros – Ribeira e morador da Amaralina. Era uma aventura diária me deslocar de um lado para outro da cidade, uma aventura divertida que, além de me ensinar a sua geografia urbana. Mostrou-me as diversas belezas como as praias, as praças, a sempre perigosa curva da Paciência – parece que os motoristas dos ônibus gostavam de ver seus passageiros encostarem-se intimamente - e sua pequena praia em forma de concha. Cheguei a empinar muita arraia no coqueiral do Nordeste de Amaralina. Tenho saudade das coisas boas daquele tempo e pude constatar todas estas mudanças que vc expõe com tanta lucidez. Por vezes uma dolorosa lucidez. Parabéns pelo texto. Abraço.

Paulo Sales disse...

Caro José Lamartine,
Obrigado por compartilhar comigo e com os leitores do blog essas reminiscências atulhadas de nostalgia. É difícil olhar para o passado e não lamentar a perda de uma época que, mesmo difícil, nos fazia muito mais felizes.
Parabéns pelo comentário e um grande abraço.

laianneppproducao disse...

Parabéns pelo texto!

Tive conhecimento do seu blog por um e-mail e tive o prazer de ler um texto que só faz retratar a pura realidade de nossa cidade, concordo em todos os sentidos. Mais uma vez parabéns!

Paulo Sales disse...

Muito obrigado, Laiane.
É sempre bom receber um comentário como esse para continuar me esforçando e tentar fazer o melhor.
Um abraço.

Guilherme disse...

Estou chocado, comovido e impotente.
Paulo sales colocou todos os pingo nos is.
Triste Bahia. Linda Bahia.
Mas preferiria ter lido esse texto em uma tarde de segunda-feira.
Porque sexta todo mundo é meio baiano.
Hoje, especialmente, serei ainda mais baiano.
Mais tristemente baiano pelas razões alegadas no texto.
Mais lindamente baiano porque logo mais à noite verei Gil cantar as belezas da nossa amada Bahia na Marina da Glória, Rio de Janeiro.

Obrigado, parabéns e um abraço!

Paulo Sales disse...

Muito obrigado, Guilherme.
É uma pena que eu tenha sentido necessidade de tocar nesse assunto. Mas é difícil ver uma cidade se aniquilando, agonizando a céu aberto, sem tomar alguma iniciativa. A minha foi essa: escrever sobre o que vejo para alertar os outros e ver se juntos chegamos a um renascimento da cidade.
Grande abraço. E aproveite o show.

nelzair disse...

Parabéns pelo texto! Muito me preocupa o destino desta cidade, também porque tenho três filhos... e saber que o meio em que vivemos é imprescindível para a nossa formação! É inevitável fazer comparações ainda mais quando passamos a conviver com outras culturas.
Quero acreditar que podemos fazer a diferença e lutar para a diminuição das desigualdades extremas da nossa Cidade.

Abraço

Nelzair Vianna, baiana e atualmente
Doutoranda na USP.

Armundo disse...

Alguns textos conferem excelência e dignidade à atividade blogueira, já que partem da inquietação e constatação individuais e repercutem todo um espírito de uma geração. Este é um deles. Impossível não se enxergar plenamente nele.

Cheguei em Salvador em 1979, outubro (sou do interior, Ruy Barbosa), e logo que adaptado comecei a conhecer a cidade (já a conhecia de passeio de férias e para ver o Fluminense jogar na Fonte Nova). Quanta diferença! Voltávamos das festas pela madrugada e ficávamos conversando e passando tempo na praça da Piedade, cirulávamos pelos bairros, íamos beber cerveja no subúrbio com naturalidade.

No Carnaval, além do repertório musical ser infinitamente melhor, ainda podíamos desfrutar das praças e avenidas.

Não se trata de nostalgia, passadismo. O que entra aqui é o descaso, a irresponsabilidade, a absoluta falta de planejamento do poder público no que concerne a todas as áreas, da administração à polícia, que está destruindo Salvador, semeando essa inimizade dos moradores entre si e com a cidade, implantando esse absurdo clima de paranóia e, paradoxalmente, exibicionismo.

São esses homens que parecem não ter contato nenhum com a vida do dia-a-dia (apesar de alguns deles terem vindo de militâncias e vivências) que parecem se conformar em ser apenas espectadores privilegiados desse processo de decadência, sem buscar nenhuma força para estancá-lo ou revertê-lo. Uma pusilanimidde criminosa.

Paulo Sales disse...

Obrigado pelo comentário, Nelzair. Também acho que podemos fazer a diferença, de um jeito ou de outro. É preciso, antes de tudo, começar a repensar o lugar em que vivemos e agir, e não apenas aderir ao cinismo ou à indiferença.
Grande abraço.

Paulo Sales disse...

Caro Armundo,
O mínimo que posso dizer sobre o seu comentário é que ele engrandece o saudável debate que está sendo travado aqui. Admiro sua lucidez e a forma sincera com que você escreve. Continue aparecendo no blog.
Muito obrigado e um grande abraço.

karla disse...

Também sinto muita falta da nossa cidade de antigamente e principalmente de como eram as pessoas.......o que está acontecendo com as pessoas de hoje em dia?? Totalmente desumanas....
Beijos,

Paulo Sales disse...

É, Karla, parece que nos referimos a cidades diferentes, de tão grande que é a mudança. Mas essa falência moral não me parece ser exclusiva de Salvador: ela atinge em diferentes níveis o país quase todo.
Um beijo.

Ricardo disse...

Paulo,

Parabéns pelo texto! Traduziu todo o desencanto - quase desamor - que venho nutrindo por esta cidade.

Abraço.

Paulo Sales disse...

Obrigado, Ricardo.
É uma pena que esse sentimento seja geral.
Grande abraço.

Joyce Lins disse...

É, Paulo, a nossa alegre Salvadr está nos deixando cada vez mais tristes, frustrados... A violência e o descuido são o que mais me irrita. Aos corajosos, que lutem e tentem mudá-la, aos desacreditados, o que resta é abandoná-la.

Paulo Sales disse...

É, Joyce, ficamos cada vez mais entre a cruz e a espada, o que é uma pena. Obrigado pelo comentário.

Rogério Santos disse...

Impressionante essa classe média pauperizada: quando a violência mata preto pobre na favela, ninguém fala nada. Quer dizer, fala: todos são suspeitos de envolvimento com o tráfico e a polícia está agindo corretamente ao tirar esses elementos de circulação. Já quando a violência começa a atingir a classe média, vira um escândalo insuportável, precisamos fazer alguma coisa, a situação está ficando terrível, minha gente!!

Além disso, o autor ainda incorre num saudosismo sem cabimento ao exaltar a Salvador do passado, como se os problemas existentes na Salvador de hoje não existissem na Salvador de vinte anos atrás. A Salvador do passado era boa, mas para quem? O saudosista só se imagina o dono do castelo, nunca o escravizado que morreu esmagado durante a construção.

Só para finalizar: o tráfico que mata preto na favela é administrado e financiado por gente dos estratos mais abastados da sociedade. Portanto, conclui-se que a origem dessa mortandade vem de cima - e interessa a muita gente.

Paulo Sales disse...

Caro Rogério,
Meu texto é realmente saudosista, até porque é muito mais um desabafo nostálgico e memorialístico do que uma denúncia. Falo de um estado de coisas, de um caos generalizado que, claro, tem muitos culpados. Agora reflita: Há 20 anos, Salvador não era melhor do que hoje inclusive para as classes baixas? Os bairros pobres eram tomados pelo tráfico e pela violência como são hoje? Claro que tudo isso existia, e em nenhum momento digo que há 20 anos vivíamos num idílio. Não, sempre foi uma cidade muito pobre e muito desigual. E o que você cita como uma postura minha - criticar só porque a classe média está sendo atingida - é justamente o oposto do que manifestei no texto. Releia o quarto parágrafo e veja se concorda. Deploro tanto quanto você o genocídio que se comete contra negros e pobres nesta cidade.
Obrigado pelo comentário e um abraço.

Anônimo disse...

Paulo, parabéns pela forma clara e real com dissertou o que tem acontecido em Salvador!.. me mudei dessa minha cidade natal por não suportar viver, desnecessáriamente, reféns de engarrafamentos constantes imitando o lado ruim das grandes metrópoles!! Mas não cruzemos os braços, lutemos e se necessário for revisemos e reprovemos até esse tal desse maldito PDDU que vai acabar de acabar com essa cidade!! Se um ente querido nosso está doente, não ficamos só chorando e lamentando esperando que ele melhore, concorda?.. Lutamos, arregaçamos as mangas, invadimos hospitais se necessário, mas não ficamos na inércia... façamos o mesmo pela nosso terra, nosso lugar, depredado por gananciosos sempre a busca de mais dinheiro, inescrupulosamente!!.. O povo tem mostrado sua força e sua independência de opinião com a Internet, que não depende da mídia comprometida das televisões!! FAÇAMOS ACONTECER!! Abraço a todos!

Corrigindo: O autor desse comentário é Marcus Vergne .. na identificação automática aparecer Teko.. abraço!

Paulo Sales disse...

Obrigado pelo comentário, Marcos.
Temos realmente que fazer acontecer.
Grande abraço.

marcos santos disse...

Amigo,

Estou aqui navegando pelo facebook e um amigo meu posta um foto do elevador lacerda, resolvoclicar pramatar a saudade, pois estou vivendo na central america,em San Salvador, batalhando tb assim como muitos irmaos brasileiros. Esse seu texto e simplesmente um texto visionario, vc escreveu certinho tudo que eu sentia e nao sabia por em texto...parabens...vc ganhou um fan....vou esta sempre buscando suas postagens...obrigado...
PJ....

Paulo Sales disse...

Muito obrigado, Marcos. Seu comentário é muito importante, ainda mais vindo de alguém que está tão longe daqui. Continue aparecendo no blog.
Grande abraço.