sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Minha redenção


Acredito que com o passar do tempo é possível reconstituir o cordão umbilical entre a criança e a mãe, perdido logo após o nascimento. Um cordão imaginário, mas nem por isso menos resistente, capaz de vincular não só filho e mãe, mas também filha e pai. Como se fossem movimentos distintos de uma mesma sinfonia, unidos pelo todo e separados apenas na aparência. Nem sempre esse cordão se desenvolve suficientemente, e em alguns casos sequer se desenvolve.

Nos nove anos em que estou junto com minha filha, completados hoje, formou-se entre nós um cordão espesso, constituído de uma matéria sólida, imune a brigas ou castigos. Chamar essa matéria de amor seria reduzir a sua complexidade, embora este seja o sentimento predominante. Existe algo além, talvez um respeito recíproco ou quem sabe uma fervorosa admiração pela pessoa que ela está se tornando. Altruísmo é artigo raro nas sociedades atuais, e mais ainda em crianças, naturalmente competitivas e naturalmente narcisistas. Pois essa talvez seja a característica mais marcante da sua personalidade, traduzida na preocupação genuína com a família e as amigas e no comovente afeto por cães vadios.

Em mais de uma ocasião ela disse que, se ganhasse muito dinheiro num prêmio da loteria, construiria um albergue para esses cães. Uma vez, na pracinha onde levávamos nossa cachorrinha que não temos mais para passear e brincar com outros bichos, ela não aceitou que um cachorrão vira-lata, soturno e tristemente solitário, fosse tangido pelos donos dos animais de raça, dos quais tentava se aproximar. Ela me perguntou, chorando: “Pai, por que estão fazendo isso, por que não deixam ele brincar com os outros?”. Respondi meio sem jeito, dizendo que era porque não estava vacinado ou outra bobagem qualquer. Ela não aceitou, pegou nossa cachorrinha e levou até o cachorrão. Fez carinho nele, falou com ele. Percebi, emocionado, que estava diante de um ser humano especial.

Seu altruísmo e sua compaixão se manifestam também nas rodas de amigas, onde ela sempre compartilha seus brinquedos, ao contrário das outras garotas. Nunca a forçamos a fazer isso, apenas estimulamos. Faz parte do seu caráter de garota ainda longe da adolescência, mas em alguns momentos madura o suficiente para me mostrar que estou cometendo uma injustiça ou fazendo uma escolha equivocada. Quando ela nasceu, escrevi um poema em que dizia que ela me redimia, conferindo eternidade à minha finitude. Gosto de saber que permanecerei no mundo de maneira tão plena.

32 comentários:

Ricardo Ballarine disse...

Ela fará a diferença, meu caro...

Paulo Sales disse...

Espero que sim. Embora tema que ela seja engolida por esse mundo tão estúpido em que vivemos.

Marcos Carneiro disse...

Grande, Paulao!
Me emocionei, meu velho!
Abraçao pra toda a familia!

Paulo Sales disse...

Valeu, Pantico.
Grande abraço.

Paulo Cunha disse...

Mais um belo texto. Parabéns pela filhota, meu caro. Abração!

Paulo Sales disse...

Valeu, Paulão.
Grande abraço.

Nina disse...

Oi, Paulo!

Cheguei ao seu blog atraída pelo nome - meu escritor preferido é F.S. Fitzgerald. Aliás, estou relendo "This Side of Paradise".

E gostei muito, muito mesmo dos seus textos. Entre tantos que li, deixo meu comentário nesse. Parabéns pela filha, que sem dúvida, tem belos exemplos para se espelhar.

Paulo Sales disse...

Muito obrigado, Nina. Seja bem-vinda ao blog. Também gosto muito do velho Scott, principalmente de Belos e Malditos e Suave é a Noite. E aqueles contos traduzidos por Ruy Castro são matadores. Há nele um certo fascínio pela queda, por personagens que se dissipam após uma grande frustração.
bjs

Nina disse...

Pois é, Paulo, Suave é a noite é meu livro preferido dele.
E como mulher, gosto muito da delicadeza que ele trata as personagens femininas, que normalmente sobrevivem às quedas (acho que a exceção é a personagem do conto "the last kiss", se não me engano, esboço do livro que ficou inacabado, "the last tycoon"). Eu também adoro os contos, e recomendo que procure num sebo, se ainda não leu, "Pedaços do Paraíso", contos de Scott e também de Zelda.
Ih, deixa eu parar, adoro esse assunto, rs!
bj

Paulo Sales disse...

Fitzgerald é mesmo fascinante. Vou procurar o Pedaços do Paraíso. Você leu O último magnata e A derrocada? Foram lançados recentemente pela L&PM em formato pocket, mas não me deixaram muito entusiasmado. Prefiro aqueles que ele teve tempo de acabar.
bjs

Nina disse...

Acho que você vai gostar de "Pedaços do Paraíso", especialmente porque dá uma idéia do talento de Zelda como escritora.
Eu não li "O último magnata", justamente desencorajada por não ser uma obra terminada...
A derrocada, eu conheço como ensaio,inclusive tenho o livro (A derrocada e outros contos). É uma edição bem antiga (era do meu pai), mas acho que é esse mesmo da L&PM a que você se refere.
"The Crack Up", do título, é esse aqui, que inclusive, gosto bastante...: http://www.esquire.com/features/the-crack-up

bjo

Paulo Sales disse...

Claro, The Crack up. Tenho o livro e nem lembro do título, capa rosa. É um ensaio mesmo, um acerto de contas dele consigo mesmo. Meio doloroso. Mas o que preciso mesmo é reler os contos. Tenho um calhamaço com vários deles, chamado Estranhos embora íntimos, edição antiga, da Nova Fronteira, que ainda não li (os livros nos atropelam). Vale a pena ler também a biografia de Scott, escrita por Jeffrey Meyers. Dizem que Zelda era uma grande escritora também, né? Mas a história deles é muito trágica.
bjs

Nina disse...

Isso aqui virou um bate-papo sobre Fitzgerald, rs!

Pois é, eu adoro os contos, estou sempre relendo. Quando eu era mais nova, meus preferidos eram os cômicos, como "As Costas do Camelo" e "O Estranho Caso de Benjamin Button" (que não tem a "lição de vida" do filme).
Agora gosto dos mais melancólicos, como "Babilônia Revisitada" e "Os Resíduos da Felicidade". Este último atualmente é meu preferido. Você já leu esse? Tem em inglês nesse link: http://www.readbookonline.net/read/690/10631/

Bj

Paulo Sales disse...

Fitz merece esse bate-papo, não é mesmo? Também prefiro os mais melancólicos, lembro de ter lido Babilônia Revisitada, mas não consigo lembrar de Os resíduos da Felicidade. É possível que não tenha lido (vou dar uma olhada no link). Os que mais gosto são
A escada de Jacob, O menino rico, A coisa sensata e O amor à noite, que são lindos. Tenho que reler todos. Falo deles e de Fitzgerald numa matéria que está reproduzida aqui no blog, você chegou a ler? Se não me engano, o título é "O Fascínio da queda".
bjs

Nina disse...

Sim, merece!!!

"Resíduos da Felicidade" está no livro "Seis contos da Era do Jazz".

Ah, também adoro esses que você citou (especialmente O Amor à Noite). O menino rico acho que é para os contos o que O Grande Gatsby é para os romances, uma síntese do estilo de Fitzgerald. Excelente!

Eu não tinha lido a sua matéria, li agora e achei muito boa! Parabéns!!

Uma curiosidade: Fitzgerald já era meu escritor preferido quando descobri que nascemos no mesmo dia! Gostei mais ainda, rs!

bj!

Paulo Sales disse...

Valeu, Nina. É mais fácil escrever quando a gente gosta de um autor. Além dele, você gosta de outros autores? Acredito que Hemingway não deve ser um deles.
bjs

Nina disse...

Ahaha, eu adoro Hemingway! Gosto até das "Ilhas da Corrente", que quase ninguém gosta. "O Sol também se levanta" é um dos meus livros preferidos...
Ih, gosto tanto de ler, que é difícil falar todos os escritores que gosto... Mas estou em uma fase Philip Roth no momento.

(E ainda tem a poesia...)

E vc, tem lido o quê?

bjo

Paulo Sales disse...

Parece brincadeira, mas a gente tem gostos muito parecidos. As ilhas da Corrente e O sol também se levanta são meus livros preferidos do Papa. A história trágica de Thomas Hudson é uma obra-prima, pena que na terceira parte ele tenha perdido a mão (mas era uma obra inacabada). E O sol também se levanta é Hemingway em estado bruto. Já Roth é outro dos meus preferidos. Adoro Homem Comum e Patrimônio, mais até do que seus livros grandes, mas também ótimos, como Pastoral Americana e A Marca Humana. Só não gosto de Portnoy. Estou lendo um livro legal de Mario Benedetti, Gracias por el Fuego, depois de ter enfrentado - como escrevi no blog - um everest literário na forma de Moby Dick.
beijão

Nina disse...

Nossa, pois é, que legal! Você também gosta de e.e. cummings, Yeats, Manoel de Barros e Fernando Pessoa, rs? Aliás, descobri recentemente um poeta que adorei, Dana Gioia, fiz até um post no blog sobre ele, conhece?

As Ilhas da Corrente é um dos livros mais tristes que já li, porque totalmente sem esperanças frente à acontecimentos tão trágicos. A primeira vez que li, estava passando férias sozinhas em Morro de São Paulo (foi quando descobri que não gosto de viajar sozinha). No início eu tinha vontade de tomar mojitos, e depois fui ficando ainda mais solitária, rs.
Depois de ser mãe, reli o livro, e me parece ainda mais triste, claro.

Engraçado, eu acho que minhas obras favoritas dificilmente são as "masterpieces" dos autores. Acho que a perfeição de estilo, embora me cause admiração, também provoca um certo distanciamento. Aliás, o Chico Buarque escritor é um que me causa isso, admiro o estilo, mas não me emociono com o resultado.
Philiph Roth eu comecei a ler recentemente (vergonha!) e por enquanto gostei de tudo que li. Gosto muito do ponto de vista masculino sobre o desejo que ele tem, a questão do envelhecimento, adorei o "O Animal Agonizante" (e acho bastante curioso que a adaptação para o cinema do livro tenha sido feita por uma mulher).

Vou anotar a sugestão do livro que você está lendo!

beijo!

Paulo Sales disse...

Nunca li e.e cummings nem Yeats, mas gosto muito de Manoel de Barros, apesar de achar que ele anda se repetindo nos últimos livros. Mas ele tem coisas lindas, aquele Livro das Ignoraçãs é uma obra-prima em miniatura. Pessoa é fascinante, mas não li tudo dele. É um universo especial. Com o tempo fui deixando de ler poesia, algo que fazia muito na adolescência, quando me encantava com Brecht, Ferreira Gullar, Allen Ginsberg, Quintana etc. Não conheço Dana Gioia, vou dar uma olhada no seu blog.
Quanto a Ilhas da Corrente, é mesmo um livro impressionante, e engraçado que aquela paisagem que ele descreve, acho que é Bimini o nome do lugar, me lembra muito Morro de S. Paulo no inverno, onde você leu. É muito triste sim, ainda mais se o lemos num momento em que nos confrontamos com a vastidão da nossa solidão (e eu já viajei muito sozinho para saber como essa vastidão pode ser infinita e em alguns casos dolorosa). E quando lia ficava louco para beber um gim-tônica feito com o Gordon's, que o Papa adorava. Hemingway falava tanto com tão pouco, né? Tanta dor oculta, submersa.
Concordo com o que você falou de obras-primas, tanto que prefiro outros livros a O velho e o mar e O Grande Gatsby, para ficar nos autores sobre os quais falamos.
Depois leia Homem Comum e, se encontrar em sebos, Patrimônio. Roth, como Hemingway, criou um universo essencialmente masculino, muitas vezes refratário a um olhar feminino, embora não chegue a ser misógino. E é bom demais.
E não se envergonhe de não tê-lo lido antes. Eu mesmo estou esperando os 40 para me aventurar em Proust, Joyce e muitas outras pedreiras. Talvez nem consiga. E se não conseguir, paciência. Tive a oportunidade de ter conhecido a obra dos velhos e bons Ernest e Scott. Cada autor tem seu tempo para nos fascinar.
beijo

Nina disse...

É, quando a gente lê por prazer, acaba deixando escapar algumas coisas...

Eu gosto mesmo desses escritores que têm esse olhar masculino, aliás gosto de filmes assim também. Tenho, claro, meus momentos "mulherzinha", mas essencialmente acho que tenho um olhar sobre a vida, o amor e o sexo bem descomplicado, que se aproxima mais do "esterótipo" masculino.

Eu já li alguma coisa de Proust e Joyce. Nem comecei "Em busca do Tempo Perdido", mas o Ulisses, a duras penas, li até o fim, nos meus 20 e poucos anos, e achei chatíssimo, rs! Acho que algumas obras são intraduzíveis. Agora que meu inglês é bom, um dia vou me aventurar no original. E olha que eu gosto muito de outras obras que usam o fluxo da consciência, adoro "O Som e a Fúria", "Ms. Dalloway", os livros da Clarice. E do Joyce mesmo, gosto muito de "The Dead", já leu? http://www.online-literature.com/james_joyce/958/

O último filme do John Houston, que eu adoro, foi baseado nesse conto e é lindo também, uma pequena obra-prima. "Os Vivos e os Mortos", em português, "The Dead", como o conto, no original.

Enfim, a vida é tão curta e são tantos os livros...

E os latino-americanos, gosta do G G Marquez, Borges e Vargas Llosa? Eu adoro!

beijo!

Nina disse...

Hum... Acabei de ler mais um monte de textos seus, e me senti meio boba pelas minha colocações no comentário antes desse, rs! Acabei por descobrir as respostas em suas próprias palavras...

E legal que escrevi que leio por prazer, e vc tem um texto que fala exatamente sobre isso...

bjo

Paulo Sales disse...

Sim, ler tem que ser um prazer. É algo que nos leva ao delírio silencioso. E gosto muito de García Márquez, embora há tempos não leia nada dele, desde Memórias de minhas putas tristes e Viver para Contar. Borges é fascinante, cada vez gosto mais de mergulhar no universo dele. Quanto a Vargas Llosa, tenho um monte de livros dele aqui na estante, mas li poucos, e o meu preferido é Tia Julia e o escrevinhador.

Não entendi por que você se sentiu "meio boba" com as colocações que fez. São coisas pertinentes, e acredite: é muito raro encontrar alguém com a bagagem literária que você tem e mostrá-la de forma simples, despojada, sem esboçar um certo pedantismo. Essas conversas travestidas de comentários estão sendo ótimas. E que bom que você está lendo o blog. Me sinto bem ao escrever aqui, tem sido uma válvula de escape após a saída do jornal e, inesperadamente, um ponto de encontro de pessoas interessantes, como você.
grande beijo.

Nina disse...

Ah, Paulo, estou gostando muito também dessas "conversas"! Você não trabalha mais em jornal, então?...

Obrigada pelas palavras. Quando disse que me senti meio boba, é porque fiz várias colocações e perguntas que encontrei respostas em seus próprios textos. É muito bom "conhecer" pessoas como você. Seu blog é ótimo, estou adorando. Também comecei o meu como uma válvula de escape (vivia um casamento de silêncios pesados), e acabou indo muito além disso.

Eu gostava mais do Gabo do que do Vargas Lhosa, mas isso está se invertendo, porque não consegui encontrar em outras obras (talvez em alguns contos e em O Amor nos Tempos do Cólera) o mesmo prazer de ler Cem Anos de Solidão, ao passo que Vargas Llosa é sempre uma surpresa boa. Tia Júlia também é meu livro preferido dele, mas adorei Travessuras da Menina Má, se você não leu, recomendo.

Grande beijo pra você também!

Paulo Sales disse...

É, o mundo virtual tem lá suas vantagens. Além de podermos nos expressar sem precisar de um grande veículo de comunicação, ainda podemos "conhecer" pessoas. Para você ter uma idéia, nunca conheci alguém que tivesse lido - e muito menos gostado - de As Ilhas da Corrente. Às vezes me sinto numa ilha, afinal o lugar onde vivo não é exatamente um poço de sabedoria. Mas vamos caminhando. E, como você disse, ter um blog é essencial para quem fala pouco mas pensa muito - eu sou assim e pelo jeito você também parece ser.

O problema de Gabo é que ele se esgotou, ao menos para mim. Li quase tudo dele, e na minha adolescência aquele universo fantástico produzia um fascínio assombroso. Lembro de contos como Um senhor muito velho com asas enormes ou O afogado mais bonito do mundo, coisas lindas, assim como os dois romances que você citou. Tem muita coisa boa na literatura latina, enfim.
grande beijo

Nina disse...

É, Paulo, você foi ao ponto: calo bem mais do que falo... Até mesmo no blog, que é semi anônimo, aliás.

Agora que você mencionou, também nunca conheci quem tivesse lido As Ilhas da Corrente. Mas ao contrário de você, eu gosto até mesmo da terceira parte, mesmo inacabada. A primeira é tão ensolarada, e termina com a tragédia. A segunda é tão triste. Mas a terceira é só desesperança, aquele cansaço de quem desistiu de tudo. Não só o Thomas Hudson, mas o próprio Hemingway, me parece. É só um seguir em frente, sem pensar no passado, sem pensar no futuro, fazendo o que tem que ser feito e embaixo de tudo, aquela dor. Meio que paira sobre essa última parte o suicídio do autor, eu acho...

Nossa, há tantos livros bons, não é? E filmes, e músicas, e quadros, e fotos.. Sempre tanto a apre(e)nder!

Ah, não reclame de onde você mora... Você não sabe onde vivo, rs!

beijo!

Paulo Sales disse...

É, a fortaleza desmoronava. O velho Papa ia embora junto com seu último livro. Mas aquela terceira parte tem muito a ver com os delírios bélicos de Hemingway, achando que estava caçando nazistas no Pacífico.
Sim, há muito o que ver, ouvir, ler, sentir. A arte salva o homem do naufrágio, não é?
Visitei hoje seu blog, gosto da sinceridade dele, e acho que temos que ser semi-anônimos mesmo, não devemos nos expor tanto na internet, afinal tem gente de todo tipo aparecendo aqui e aí, na Menina de Cachos.
Engraçado você falar de onde eu vivo, estava pensando nisso agora, antes de entrar no computador. Estava tomando um vinho delicioso em plena segunda-feira e sentindo a brisa vinda do oceano e olhando o céu recheado de estrelas. Acho que viver aqui tem seu valor. Não sei onde você mora. Pelo mecanismo de visitas do blog, fica entre Taubaté, Ubatuba e Pindamonhagaba, estou certo?
Um beijo, Nina

Nina disse...

Ah, eu já passei um mês por aí, anos atrás, e adorei! Mas viver é bem diferente, né? Já morei em muitos lugares e tinha memórias afetivas de que voltar a viver aqui (sim, exatamente onde vc disse, rs) seria possível. Mas profissionalmente, está sendo bem frustante... De forma que estou a considerar outras possibilidades, até mesmo voltar a São Paulo, algo inimaginável para mim a até bem pouco tempo atrás.

Gostei muito da sua frase, "a arte salva o homem do naufrágio". Bela e também verdadeira. Adoro todas as metáforas que envolvem o mar. Uma de minhas frases (verso) preferidas, aliás, é:

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu".

do Fernando Pessoa, que é linda em seu sentido literal e metaforicamente, também.

Beijo!

Paulo Sales disse...

Nossa, que frase. Não conhecia.
Sim, viver em Salvador é muito diferente. Assim como viver em São Paulo, cidade que eu adoro mas onde não gostaria de morar novamente. Infelizmente, os melhores trabalhos ficam nos grandes centros. Quando deixei SP, estava recém-formado e já trabalhava no Grupo Folha. Larguei tudo para ficar perto da minha família e do mar. Acho que foi uma decisão acertada, mas o custo foi alto, profissionalmente falando. Você faz o quê? Não parece ser jornalista, essa raça masoquista que adora ganhar pouco (rsrsrs).
Um beijo.

Nina disse...

Ah, eu sinto muita, muita falta de estar mais perto do mar. Engraçado que quando morava em Floripa, eu sentia essa nostalgia, mesmo vendo o mar da minha janela, porque lá o mar não tem cheiro. O cheiro do mar é um dos meus três cheiros preferidos. Uma das imagens mais bonitas que tenho de paisagens urbanas e mar é aí de Salvador, da Barra, à noite. Há ou havia um restaurante na extremidade esquerda de quem está de frente para o mar que tem uma vista linda!

Eu nasci em SP, fiz faculdade lá, mas não gosto da cidade. Ou não gostava. Porque, realmente, na nossa área, as oportunidades de trabalho estão lá, principalmente. Mas ainda reluto em levar minha menina para lá, ainda mais que seremos só nós duas. Vamos ver se outra oportunidade aparece (eu estou, claro, tentando criá-la).

Ah, esse verso de Pessoa está no famoso poema épico Mar Português, aliás, o mesmo poema de "tudo vale a pena se a alma não é pequena".

beijo!

Paulo Sales disse...

Sonho em morar em Floripa, numa casinha perto da Lagoa. Mas é só um sonho. Salvador tem mesmo paisagens lindas, e a Barra é uma delas - o bar a que você se refere deve ser o Barravento. Vista espetacular, serviço nem tanto. Mas o nível de ignorância do baiano (e do brasileiro em geral) me incomoda.
Criar uma filha em São Paulo não é mesmo fácil, e acho que você deve tentar ficar longe de lá, embora tenha amigos que criam suas filhas naquela confusão.
Respondendo ao seu "outro" post, não tenho twitter, não consigo me acostumar com aquilo, acho meio bobo. Mas vi que trabalhamos na mesma área. Também sou, hoje, redator publicitário, afinal preciso de dinheiro para criar bem minha filha e comprar meus vinhos. Se quiser, me mande seu e-mail.
Um beijo

Nina disse...

Eu não gostava do twitter, mas me rendi, rs! Ótima fonte de informações instantâneas (e alguma diversão). Já me rendeu algumas pautas.

Vinhos é uma área em que sou bem "mulherzinha". Desde cedo meu pai nos acostumou com bons vinhos e eu continuei na inércia de apreciá-los, sem escolhê-los. Um projeto para um futuro próximo é tomar à frente e passar a escolhê-los por mim mesma.

Pois é, devo ser das únicas pessoas que morou em Floripa e não gostou... Ótimo lugar para férias e visitas, no entanto, recomendo!

Ah, o bar é esse mesmo! Não me recordo do serviço ruim, acho que a vista (e as férias) me deixaram menos exigente.

beijo